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quarta-feira, 12 de agosto de 2020

MANTRA DA GRANDE VITÓRIA SOBRE A MORTE - MAHĀMṚITYUÑJAYA

 

(mahā = Grande; mṛityu = Morte; jaya = Vitória)

 

 

As escrituras hindus dizem que este mantra é rejuvenescedor, nos dá saúde, riqueza, vida longa, paz, prosperidade e contentamento. Como é uma oração endereçada ao Senhor ŚHIVA, ao entoarmos este mantra, vibrações divinas são geradas para repelir todas as forças negativas do mal, criando um escudo protetor poderoso.

 

Este é um mantra para pedir a cura de doenças, e para proteger contra acidentes e desgraças de todas as espécies.

 

Mahā Mṛityuñjaya também é conhecido como "Mantra da Liberação" do Senhor Śhiva. Este é um mantra protetor contra acidentes, infortúnios e calamidades diárias, um mantra para sermos libertados dos sofrimentos físicos, mentais e emocionais, dos medos da morte e de acidentes.

 

A pronúncia correta dos sons do mantra é mais importante, do que a sua tradução exata. Como música, a ressonância destes sons atrai a mente e a dirige a uma experiência interior. O significado literal do mantra é apenas para conhecer o seu significado para desenvolver a fé.

 

O primeiro passo é escutar o mantra, a sua métrica e cadência. O segundo passo é aprender a recitar o mantra corretamente. Uma vez que o mantra seja aprendido, leve o significado para sua mente durante sua meditação. Depois de acalmar o corpo, a respiração e a mente, entoe o mantra por 3, 9, 27, 54 ou 108 recitações, e permita sua mente tornar-se absorta pelos sons e ritmos de cada linha.

 

Deixe o mantra puxar sua consciência ao centro do seu coração ou para o centro das sobrancelhas. Se for recitar o mantra para resolver um problema de saúde, focalize sua consciência no Plexo Solar. 

 

SIGNIFICADO DO MANTRA "MAHĀMṚITYUÑJAYA"

 

OṀ TRYAMBAKAṀ YAJĀMAHE SUGANDHIṀ PUṢHṬIVARDHANAM     |

URVĀRUKAMIVA BANDHANĀNMṚITYORMUKṢHῙYA MĀMṚITĀT     ||


OṀ O início de cada mantra. Palavra que traz a energia do mantra à manifestação.

TRYAMBAKAṀ: A palavra TRYAMBAKA, refere-se aos Três olhos do Senhor Śhiva. “TRAYA (TRY)” é o mesmo que “Três” e “AMBAKA” quer dizer “olhos”.  Estes três olhos ou fontes de iluminação, são representados pela Trimūrti de Brahmā, Viṣhnu e Śhiva. Assim, quando pronunciamos, as palavras: O TRYAMBAKA, nós estamos manifestando a Presença de Deus, como Onisciente (Brahmā), Onipresente (Viṣhnu) e Onipotente (Śhiva). O termo “Três olhos” significa a mais pura e profunda consciência do universo que impregna e transcende o tempo no presente, no passado e no futuro.

YAJĀMAHE (YAJĀNA):  é uma oferta, sacrifício, adoração, veneração.  Adorando com Alegria. Nós oferecemos nosso sacrifício com alegria. Alguns traduzem para: “Cantamos em sua honra”.

SUGANDHIṀ: é um doce perfume / uma fragrância agradável. Uma referência à alegria que temos de conhecer, enxergar e sentir a Poderosa Presença do Senhor Śhiva, que nos envolve com a fragrância de Seu perfume.  Quando o nosso terceiro olho desperta, tudo se torna perfumado, porque tudo passa a ser visto como sagrado.

PUṢHṬI: é o mesmo que nutrir; o suporte a tudo o que existe; a prosperidade.

VARDHANAM: Aumento, incremento, fortalecimento. O aumento da prosperidade, do auxílio divino, da saúde e do bem-estar.

URVĀRUKAM: Um tipo de melancia, que no passado da Índia, era conhecido como fruto de uma trepadeira.

IVA: assim como, desta forma.

BANDHANĀN: impotente e sem forças, preso no cativeiro.

MṚITYUH: da morte, das doenças e dos obstáculos.

MUKṢHῙYA: uma armadilha.

MĀMṚITĀT: livra-nos da morte, dê-nos a vida eterna.


Nós adoramos [o Senhor Śhiva], aquele que tem três olhos, que é perfumado e nutri com prosperidade a todos os seres. Por favor, me liberte dos laços da morte. Do mesmo modo fácil como uma melancia madura é separada da trepadeira. Por favor, nos dê o caminho da liberação, da imortalidade.

Antes de recitarmos o mantra, invocamos o poder de Śhiva em seus vários nomes.

Oṁ namaste astu bhagavan viśhveśhvarāya mahādevāya tryambakāya tripurāntakāya trikālāgnikālāya kālāgnirudrāya nīlakanṭhāya mṛityuñjayāya sarveśhvarāya sadāśhivāya śhrīmanmahādevāya namaḥ

Tradução:

Saudações ao Senhor, o Senhor do Universo, o grande Senhor, aquele que possui três olhos, aquele que é o destruidor dos três mundos (causal, astral e físico), aquele destruidor do fogo dos três tempos (passado, presente e futuro), aquele que é o fogo que consome a criação, aquele de pescoço azul, o conquistador da morte, o Senhor de todos, o sempre auspicioso, o glorioso Senhor Śhiva.





segunda-feira, 13 de julho de 2020

EMOÇÕES & SOFRIMENTO



“Será que o sofrimento é realmente necessário? Sim e não. O sofrimento rompe a casca do ego – do “eu” autocentrado – e promove uma abertura até atingir um ponto em que cumpriu sua função. O sofrimento é necessário até que você se dê conta de que ele é desnecessário.
“O sofrimento começa quando você classifica ou rotula uma situação de indesejável ou má. Você se ofende com alguma situação e essa ofensa desperta um ego que reage.
“Classificar ou rotular é um comportamento comum, mas é também um hábito que pode ser rompido. Comece “não rotular” os pequenos acontecimentos. Se você perdeu o avião, se tropeçou e quebrou uma xícara, se escorregou e caiu na lama – será que é capaz de se conter e não rotular o fato como ruim ou desastroso? É capaz de aceitar a “situação” tal como é naquele momento?
“Rotular alguma coisa como ruim provoca uma tensão emocional. Se você deixar que as coisas existam sem classifica-las, passa a dispor de um enorme poder. A tensão emocional separa você desse poder, que é o próprio poder da vida.
“É absolutamente normal não desejar sofrer. Mas, se você se desapegar desse desejo e aceitar a presença da dor, talvez note uma sutil separação interna, um espaço entre você e a dor. Isso significa que você passa a sofrer conscientemente, aceitando. Quando você sofre conscientemente, quando aceita a dor física, ela anula o ego, pois o ego é formado sobretudo por resistência. O mesmo ocorre com uma grande deficiência física.
“Oferecer o seu sofrimento a Deus é outra forma de fazer isso. É o que traduzem as palavras de Cristo na cruz: “faça-se em mim segundo a Tua vontade, e não a minha”.
“Ao se entregar, aquilo que parecia negar a existência de qualquer dimensão transcendental torna-se uma abertura para esta dimensão”.
(Eckhart Tolle – O Poder do Silêncio)


Ter emoções é muito importante para a nossa saúde; não resta dúvida. Mas, quando se trata de uma dor, quer seja física ou moral, as emoções negativas que emergem, como raiva, ansiedade, tristeza, inveja e ciúme, se vinculam com a dor de tal forma que o sofrimento toma uma proporção muito grande. Esse sofrimento, quando intenso e prolongado, nos torna vulnerável e tudo piora, dificultando a retomada do equilíbrio físico, mental e espiritual. Se mantemos a equanimidade, o otimismo, um certo distanciamento e, principalmente a aceitação, o efeito se torna o oposto, gerando bem-estar e conforto para a alma. É importante observar que os efeitos das emoções positivas não são tão intensos quanto o das emoções negativas. E por que? Porque o ego experimenta uma ideia de invasão e fragmentação. Com isso, ele tenta se defender a todo custo, apegando-se ou gerando aversão. Nas emoções positivas, é mais propício ao ego sentir-se poderoso. Por isso, a ideia de distanciamento das emoções é tão importante.

Se você fica consciente da dor e não deixa as emoções negativas invadam e se apoderarem de teu ser, você não sofre ou, pelo menos diminui consideravelmente o sofrimento. O grande problema é que, quando temos alguma dor física, moral ou sentimental, logo, logo a emoção negativa toma conta. Aí o sofrimento é inevitável. O sofrimento está diretamente condicionado a uma emoção negativa. Afinal de contas, essa estrutura emocional é ativada pelo ego, que é o eu inferior, o eu menor. Essa estrutura emocional não representa o nosso verdadeiro eu. Quando você consegue se distanciar dessas emoções negativas, você percebe exatamente aquilo que Eckhart Tolle falou – um espaço entre você e a dor. Se você se confunde com a dor, o sofrimento aparece. Mas, se você não se confunde com a dor, o sofrimento míngua.

Outra forma de nós não sofrermos tanto com a dor, apontada por Eckhart Tolle, ou mesmo anular o sofrimento, é oferecer esta dor a Deus, entrega-la a Deus. Essa questão da espiritualidade é crucial para amenizarmos o sofrimento. Pouco mais da metade da população mundial não tem e não pratica nenhuma crença religiosa e muito menos trazem alguma bagagem espiritual. São pessoas sem fé, que não se inspiram em Deus. São pessoas materialistas, mecanicistas e imediatistas. Por isso há tanto sofrimento no mundo e sua atmosfera psíquica está tão pesada. Quando alimentamos este canal com o divino, ativamos um psiquismo e um fisiologismo que nos ergue e nos impulsiona para frente, porque sabemos que é Deus quem está no comando.

Então, vamos fazer uma meditação para abrandar a agitação mental e, consequentemente, a emocional. Feche seus olhos. Deixe suas mãos relaxadas sobre as pernas. Dirija sua atenção para algum momento de sua vida que ainda abala o seu emocional e te traz sofrimento. Por alguns instantes, perceba as emoções que brotam devido à agitação da mente. Perceba este estado de turbulência. Entenda que este sofrimento não pertence a você, ao seu Eu Maior, ao seu Ātman, à sua consciência plena. Esse sofrimento pertence ao ego – esse parceiro invisível que está sempre conosco e que nos é necessário, mas que é apenas um instrumento do verdadeiro eu. Tente perceber a distância que existe entre o Eu verdadeiro, que é eterno, imutável e pleno, e a dor, que pertence ao corpo físico ou mental.

Então, inspire e expire algumas vezes com mais intensidade até sentir que você está inteiramente em conexão com sua respiração, sem interferência dos assuntos da mente. Enquanto respira com intensidade, permita que todo tipo de sofrimento vá embora. Gradualmente, vá suavizando sua respiração até poder observa-la em seu movimento natural.

Agora, visualize um intenso disco de luz dourado no centro de seu coração. Vá tornando-o cada vez menor até desaparecer. Continue concentrando-se no mesmo local onde se encontrava a luz. Observe, então, mais uma vez, seu estado emocional. Observe o estado de plenitude do Ser. Fique assim por mais um instante e, em seguida, retorne devagar.