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sábado, 19 de setembro de 2020

LAPIDAÇÃO

 

Numa lapidação, para que o diamante manifeste todo o seu brilho e luz, é necessário que ele se desapegue de algumas partes de si e permita que o lapidador corrija as suas imperfeições. Sejamos como este diamante! Desapeguemos de nossas tendências obscuras e permitamos que Deus apare as imperfeições. Assim, poderemos mostrar a Luz Divina que está oculta em nosso âmago.

Não é nada fácil nos libertarmos de nossas tendências, vícios e atitudes desregradas, mas é necessário, se almejamos a liberdade e o consequente despertar da luz interior. Colocar-se nas mãos do Criador é o caminho. Isto não significa que devemos ficar parados, inertes ou passivos para a vida na matéria. Muito pelo contrário! Devemos agir pela mão de nosso Pai-Mãe Eterno, pois há muito o que fazer para que tenhamos uma humanidade pacífica, próspera e amorosa. Enquanto agimos pela mão do Eterno, através da Fonte que tudo É, esta Suprema Inteligência vai burilando as nossas vestes, desde as mais sutis até as mais grosseiras. E nossa luz torna-se mais brilhante a cada novo movimento que realizamos pelas Sagradas Mãos do Divino, neste palco da vida chamado Terra, no grande teatro de Deus chamado Universo.

Amorosamente e com toda fé, nos lancemos aos pés deste maravilhoso Mestre, ao qual somos feitos à sua imagem e semelhança. Tenhamos a coragem e o desapego de deixa-lo nos conduzir. Abandonemos as armaduras do egoísmo, a arrogância de nos acharmos maior e o orgulho de não reconhecer as nossas sombras. Porque no fundo da caverna escura que há em nosso íntimo, oculto nos recantos de nossa alma, está a verdadeira causa de nosso aparente obscurantismo – o medo, o pavor de nos tornarmos o nada.

Pois, saibamos que o nada e o tudo são faces opostas de um jogo de espelhos que nos iludem, porquanto nos fascinam, e não manifestam a realidade. Assim como uma cadeia de montanhas, onde os fortes ventos sopram, espalhando a divina vida, permite o aparecimento dos vales, que acolhem as águas claras e cristalinas dos rios, a nutrir a abençoada vida; assim como o clarear da manhã permite o recolhimento da escuridão da noite; assim como o ator esquece de si mesmo para realizar com toda plenitude o personagem; também o fluxo de nos tornarmos o nada no palco da vida, nos permite ser pleno no oceano de luz da Suprema Criação.

Supremo Ser de Luz Infinita e Eterna, que estais no íntimo de tudo que vibra, glorificado é o Vosso Poder em toda a Criação. Desça sobre nós a Vossa Luz e Poder. Que seja feita a Vossa Vontade, assim na Terra como nos Céus. Dai-nos a Vossa Luz, alimentando a nossa fé a cada momento de nosso dia. Dai-nos o conhecimento que nos retira o véu da ignorância e nos faz ver a Vossa Luz em todos os nossos irmãos. Dai-nos a Vossa Força que nos mantém no caminho da luz, superando as tentações, com o propósito de manifestar o Vosso Amor. Pois, Vosso é o Reino, o Poder e a Glória por toda a eternidade. Amém.

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

O CANTO DO GALO

 

“Jesus declarou: Em verdade te digo que esta noite, antes que o galo cante [a trombeta toque], me negarás três vezes”!  

(Mateus, 26:34)

“Disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje, esta noite, antes que o galo cante [a trombeta toque] duas vezes, me negarás três vezes”.

(Marcos, 14:30)

“Mas ele disse: Pedro eu te digo, (o) galo [trombeta] não cantará [tocará] hoje sem que por três vezes tenhas negado conhecer-me”.

(Lucas, 22:34)

“Jesus lhe responde: Darás a tua vida por mim? Em verdade, em verdade te digo: o galo [trombeta] não cantará [tocará] sem que me renegues três vezes”.

(João, 13:38)

 

Dos quatro Evangelhos, o único que observou os detalhes, quanto às trombetas, foi Marcos. Os outros três – Mateus, Lucas e João – não se preocuparam com este pormenor, mas que é tão precioso no estudo oculto do simbólico ali existente.

Tudo nos leva a entender que foram as trombetas da Fortaleza Antônia que ressoaram naquele crucial momento de Simão Pedro. Não havia galo no centro de Jerusalém e nem era permitido, por se tratar de uma cidade sagrada para os judeus, onde residia o Sumo-Sacerdote, aliás, muito próximo dali. O toque da trombeta, em latim, se chama “gallicinium”. Daí vem a confusão, já que os Evangelhos foram traduzidos do grego para o latim, sendo que o de Marcos, que é dito que foi escrito aos romanos, ele usou vários termos latinizados. A menção feita por Marcos, em seu Evangelho, ao duplo ressoar do galo (“toque da trombeta”) parece estar se referindo aos dois “toques de trombeta” existentes após a meia-noite, os quais eram emitidos da Fortaleza Antônia. Um primum gallicinium (“primeiro canto do galo”) entre às 0:00h e às 3:00h da madrugada e, depois dele, o secundum gallicinium (“segundo canto do galo”) que era tocado entre às 3:00h e às 6:00h da manhã, quando outro dia começava a despontar no horizonte.

Mas, vamos ao ensinamento que está contido nesta passagem dos Evangelhos.

Em nossa jornada para o despertar, não está em pauta os nossos erros e acertos, mas as experiências que vivemos, ou seja, o que fazemos com nossos erros e acertos. Na passagem do Evangelho, por exemplo, Pedro precisou errar três vezes antes de “o galo cantar”, negando o seu amor pelo seu Amado Mestre Jesus, para que pudesse despertar a retidão em seus atos – o dharma. O “canto do galo” foi o despertar de Pedro, reconhecendo a sua fraqueza para que se tornasse um guerreiro. Ele, que era orgulhoso, fraco e medroso, lembrou das palavras de seu Mestre: “não cantará o galo duas vezes antes de Me teres negado três vezes”. E naquele exato momento, em que “o galo cantou” pela segunda vez, com certeza, seu centro psíquico da base, que expressa o seu propósito de vida, a sua missão na Terra, entrou em ressonância, vibrou sua Alma e o colocou no caminho da retidão. Sua fé (o conhecimento vivenciado e raciocinado) se tornou inabalável e sua devoção (o amor em prática) ao seu Amado Mestre se consolidou, fazendo dele um Verdadeiro Guerreiro (o reto agir). Assim, o conhecimento, o amor e a ação reta se integraram. Assim, ele se tornou o alicerce que propiciou a propagação da mensagem do Cristo.

E por que Pedro negou três vezes, e não uma, duas ou quatro vezes? Como está dito acima, a primeira negativa foi para acorda-lo quanto à sua fé, consolidando-a. A segunda, para despertar seu amor e devoção ao Mestre. A terceira, para colocá-lo no caminho reto, na ação correta, fazendo aflorar o espírito guerreiro de Pedro, tão necessário naquele tempo para espalhar e implantar os ensinamentos do Mestre.

E por que as trombetas deveriam soar por duas vezes? Como nos conta Marcos, Pedro negou três vezes e, em seguida, a trombeta soou pela segunda vez, o que fez Pedro acordar para a realidade espiritual. Este fato serve não só para que Pedro se lembrasse do que Yeshu’a o teria alertado, mas também para mostrar a Pedro o quanto ele estava dividido e sem fé consolidada, mostrando a dubiedade de seus sentimentos e convicções quanto à missão que lhe foi transmitida por Yeshu’a.

Pode parecer muito estranho e fantasioso esta análise, mas existe um fator altamente simbólico nisto tudo, que transformaria, não só a Simão Pedro, mas também a todos nós, ao estudar os Evangelhos. A Bíblia, tanto no velho testamento, como no novo, onde se encontra os quatro Evangelhos, é repleta de códigos, símbolos e metáforas que devem ser decifrados e extraídos os seus ensinamentos.

O que podemos extrair destes símbolos? Que, para alcançarmos a grande liberação, temos que ter fé inabalável no propósito divino; devoção ao Mestre, dedicando todas as nossas ações para Deus; e reto agir, ou seja, sem desvios em nossa conduta. Quanto às trombetas, jamais devemos titubear, vacilar ou duvidar da voz do coração – nossa mente deve estar fechada para os encantos e palpites externos e focar somente no coração.

Então, eis as perguntas que nunca se calam: E o seu “galo” já cantou, a sua trombeta já soou?  Você está atento ao canto do seu “galo”, ao toque de sua trombeta?

terça-feira, 18 de agosto de 2020

DEZ ATITUDES ENOBRECEDORAS

  

Existem dez atitudes que podemos incorporar em nossa vida que enobrecem nosso Ser. Todos nós estamos em busca de um crescimento espiritual, consciente ou inconscientemente. Podemos ter uma vida material digna, onde ao final desta existência afirmamos com honradez “missão cumprida”, somente quando desenvolvemos estas dez atitudes. Vamos a elas!

 

1. HUMILDADE

Uma boa forma de se desenvolver a humildade é calando as nossas vitórias, os nossos prodígios, que só enaltecem o nosso grande e necessário vilão – o ego; grande porque, devido a sua ignorância se julga acima de tudo e de todos, criando mecanismos de manipulação; necessário porque sem ele não teríamos noção de nossa existência, não seríamos autoconscientes.

 

Como é louvável, quando estamos em um grupo e não ficamos a arrotar, sim, eu digo arrotar, nossos feitos e proezas, querendo ser superior e, por vezes, apagando a luz do outro para que brilhemos mais! Como quem dissesse: “minhas vitórias são melhores que as suas”! A superioridade, se ocorrer, deve transparecer com naturalidade e pelo mérito, para Deus e com a benção de Deus. Jamais por vanglória do ego.

 

2. CARIDADE

Só existe caridade, quando não há julgamento em qualquer contexto relacionado ao ato caritativo. Podemos realizar uma grande ajuda para alguém, podemos ser a criatura mais generosa da face do planeta, mas, se lançamos mão de algum julgamento sobre o estado que a pessoa auxiliada se encontra ou sobre seu comportamento, perdemos todo o valor espiritual. Neste caso, a caridade pode ter um bom resultado para a pessoa que recebe, mas para nós, que fazemos a caridade, jamais.

 

A caridade, seja em forma de oração, acolhimento moral/espiritual ou doação material, tem um valor imensurável, quando a fazemos sem críticas e aversões, e de coração aberto. Lembremo-nos: estamos todos em busca da Luz Maior, da Luz de Deus-Pai-Mãe. Quantas vezes já tropeçamos no caminho? Será que continuamos a tropeçar e nem percebemos? E ainda poderemos tropeçar mais tarde! Por que, então apontar o defeito do outro se também estamos a trilhar em busca da Luz Maior. Como disse nosso Mestre Yeshuah (Jesus) “aquele que estiver isento de pecado atire a primeira pedra” (João 8:7).

 

3. HEROÍSMO

O melhor meio de despertar a força de um herói é detectando, observando e vivenciando nossas faltas, carências e sofrimentos orientados para dentro de si e silenciosamente calados. Nosso maior adversário é a ignorância de si mesmo. Este ardiloso e ferrenho adversário – a ignorância – nos faz perder a paciência, nos machuca, amedronta, impõe limites, enfim, nos causa sofrimento. Se permitirmos olhar nossos sofrimentos e carências com determinação e firmeza, entregando-os a Deus-Pai-Mãe, invocando força para modifica-los e clareza mental para compreendê-los, desenvolveremos a maturidade necessária para que despertemos o herói que existe em nós.

 

A força de um herói nos impulsiona para novas conquistas, quer sejam materiais, morais ou espirituais. Ganhamos novas experiências e, consequentemente, ampliamos nossa capacidade de discernir tanto os fatos, como as lutas e os objetivos.

 

Para vencer as dores e os sofrimentos da vida e alcançar a maestria de si mesmo precisamos despertar a força de um herói!

 

4. EXTINGUIR A COVARDIA

Sinto muito em dizer isto: somos extremamente covardes quando olhamos a dor do outro e lhe damos as costas, desdenhando e minorando o seu sofrimento, fingindo que nada acontece. Não se trata de uma fraqueza ou medo, mas de uma covardia.

 

A covardia nos faz menor diante de Deus. Não nos tornemos indignos de entrar nas moradas superiores de Deus-Pai-Mãe! Se queremos alcançar a plenitude da vida moral e espiritual, não fiquemos cegos, surdos e mudos ao ver um ser vivente sofrendo, seja esta dor física, moral ou espiritual, e também seja uma planta, um animal ou ser humano.

 

5. ELIMINAR A FRAQUEZA

A fraqueza só se instala e cresce na mente e no corpo da gente, quando permitimos que o ímpio, com suas atitudes injustas avance sobre nós e nos domine. Quanto mais recuamos, acuados pela volúpia dos ímpios, mais eles avançam e dominam. O verdadeiro ser humano de bem, justo, forte, leal a seus princípios espirituais e devotado a Deus, não deixa o ímpio crescer e dominar.

 

Portanto, não deixe o ímpio dominar! Seja forte! Porque para alcançar as moradas superiores precisamos cortar o mal da fraqueza. A fraqueza indica um caráter dubio e infantil, enquanto a fortaleza denota um caráter firme e maduro. Com diz o ditado popular “quem cala consente” e, neste caso, calar diante de uma notória injustiça, não só é consentir, mas arcar com as consequências nefastas de um ato injurio. A fraqueza demonstra que não estamos praticando a retidão, que nos desviamos da meta e, por isso, perdemos o contato com a Luz Divina. Lutar um bom combate, com princípios e honestidade, nos levará ao recanto da glória, vencendo ou não a batalha.

 

6. GENTILEZA

Acolher o próximo nos faz um ser humano gentil. Quando estamos, somente nós, a contar as proezas, conquistas, dores e sofrimentos de nossa vida, sem ouvir o que o outro tem a nos dizer ou a interrompe-lo a todo instante, tornamo-nos indesejáveis, arrogantes e egoístas. A gentileza se desenvolve quando praticamos a empatia, escutando o outro com atenção, compreendendo suas lamúrias e alegrias, vivenciando-as junto com o outro. Em resumo, quando somos participativos em sua história de vida.

 

Gentileza é o estado natural do coração. Quando deixamos de agir pelo canal do coração, encoberto pelas couraças do medo, que nada mais são as defesas do ego, passamos a agir pelo canal da mente inferior, que está vinculado aos nossos sentidos grosseiros parciais, cindidos e dicotomizados, e que representam os sentimentos possessivos e controladores, rudes e autocentrados.

 

7. NÃO SER OMISSO

Esconder-se, quando confrontado, para não se expor, não faz parte das nobres atitudes. Muito menos se alguém espera uma palavra, uma acolhida, um afeto ou somente um sorriso e negamos, fugindo ou se calando. Se queremos curar nosso interior e expandir a consciência, é vital se expor, dizer o que pensa, quando para tal somos solicitados.

 

É muito triste, quando o outro, confiando em nossa presença, aguarda uma palavra, um conselho ou um ensinamento e nos tornamos ausentes. Esta atitude cria um verdadeiro abismo entre a pessoa e Deus-Pai-Mãe. Porque a comunicação, seja ela por gestos, comportamentos e, principalmente, pela palavra, o verbo, é o que sustenta a Criação, pois somos cocriadores divinos, além de nos impulsionar às Moradas Celestiais. A palavra tem poder e a boa palavra enobrece a alma.

 

8. AUSTERIDADE

A austeridade requer disciplina; são coirmãs e ambas são primas da retidão. Se queremos limpar a nossa mente, devemos pratica a austeridade nas palavras e proferir somente o que é positivo, útil e salutar.

 

Por qual meio nós, disparadamente, mais pecamos e nos perdemos, além de impregnar nossa atmosfera psíquica com porcarias? A resposta: através da palavra falada. Ao falarmos, milhões de partículas físicas e psíquicas saem de nossa boca, carregada de impressões, vibrando e ressonando pelo espaço, se propagando para todos os cantos. A palavra falada tem um inesgotável poder. Podemos imantar, impregnar e/ou influenciar ideias maravilhosas; mas, também plantar sementes ruins, desagregadoras ou mesmo destruidoras. Por isso, para alguns santos e yogis é indicado o voto de silêncio, para que haja um refreamento da conduta e purificação da mente.

 

9. PRUDÊNCIA

A falta de prudência se manifesta pela imaturidade do ser. Muitas vezes queremos ajudar, mas somos afoitos e acabamos por prejudicar. A prática de observar e analisar as circunstâncias e as pessoas que as envolvem é condição primordial se queremos ser prudentes. Assim, elegemos as palavras e atitudes mais adequadas para não invadir e, muito menos, ferir nosso semelhante. Isto não significa dizer que devemos ser hipócritas ou omissos em nossas palavras e atitudes, mas saber medir no outro o que será suportado, assimilado, trabalhado e, por fim, reformado intimamente. A verdade acima de tudo, porque a verdade é soberana e liberta a alma dos grilhões da ignorância, que é propriedade do ego.

 

A partir de nossas escolhas, do que falar e de como agir, aprimoramos nosso discernimento, o que acarretará em novas escolhas mais elaboradas e conscientes. Aumentemos a nossa atenção sobre os fatos, as coisas e pessoas, passemos a perceber os detalhes das atitudes que contextualizam os fatos de nós mesmos e do outro, e de como reagimos e interagimos. Desta forma, desenvolvemos a prudência e expandimos a consciência – a carta de recomendação que precisamos para adentrarmos nas Moradas Celestiais.

 

10. SILÊNCIO

Deus, em ressonância com nosso coração, que é magnético, transmite a Luz, o Poder, o Amor e a Glória, somente quando estamos em silêncio. A turbulência da vida, com seus problemas, questionamentos e oscilações, deixa nosso coração agitado e defendido, e consequentemente, nossa mente confusa, dificultando o contato com a Luz interna, nosso Deus-Pai-Mãe, e condicionando nossas ações a mecanismos automatizados. A identificação com a vida agitada nos afasta do campo da unidade, que é o campo de Deus-Pai-Mãe.

 

Para silenciar o coração e a mente, precisamos parar, respirar pausadamente e sentir. Precisamos perceber o intervalo que existe entre o inspirar e o expirar, e vice-versa. Este intervalo é o vazio, suportado pelo silêncio. Ao perceber este silêncio, você entra no estado profundo de paz, de calma interior. Assim, você acessa o seu verdadeiro estado de ser, a sua consciência, o Ātman. Respirando suave e confortavelmente, observando o vazio, nós sentimos a presença do EU SOU. Assim, Deus-Pai-Mãe fala através do coração. É a Voz Imaculada de Deus em nosso coração.

 

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O fruto da prática cooperada das dez atitudes enobrecedoras é a SABEDORIA, que poderíamos classificar como uma décima primeira atitude. É quando compreendemos que Deus-Pai-Mãe do Cosmos tem seus mistérios. Como podemos entender o que realmente acontece no momento da fecundação, quando o espermatozoide encontra o óvulo, numa verdadeira explosão de vida? Como entender o exato instante que a semente rompe sua casca para alçar os céus como um broto verde cheio de vida? Como não se emocionar ao ver uma flor se desabrochar, com suas nuances de cores as mais variadas? Como não se sentir perplexo ao olhar para a noite estrelada e perceber que ali, com as miríades de astros e galáxias, não há limite? Só há uma resposta: o amor incondicional que esta Fonte Que Tudo É tem por nós.

 

A fé que desenvolvemos por Ele – a Suprema Inteligência – é tão próximo ao infinito e imensurável, que não o contestamos. Apenas nos curvamos diante de tamanha e esplendorosa sabedoria, poder e amor.


QUE EU SAIBA QUANDO CALAR

Amado Pai-Mãe, Supremo Ser,

Que eu desenvolva a humildade,

calando-me sobre minhas vitórias.

Que eu faça a caridade,

calando-me sobre os defeitos de meu irmão.

Que eu desperte a força de um herói,

calando meu sofrimento.

Que eu arranque a raiz da covardia,

sem jamais me calar diante da dor alheia.

Que eu corte o mal da fraqueza,

sem me calar diante da injustiça.

Que eu seja sempre gentil,

calando-me quando o outro fala.

Que eu jamais seja omisso,

e não me cale quando o outro espera uma palavra.

Que eu pratique a austeridade,

calando-me para não falar palavras inúteis.

Que eu seja prudente,

calando-me quando não há necessidade de falar.

Que eu saiba silenciar a mente,

calando-me quando Deus fala em meu coração.

Que eu tenha sabedoria,

calando-me diante do mistério que não entendo.

Que assim seja.

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

SILENCIOSAMENTE EU TE ESPERO

 

 

Amado filho... se tu quiseres
Realizar o sonho de ser plenamente próspero,

Me manifestarei como Lakshmi, a Deusa da Prosperidade,

e serei a riqueza que tu quiseres e achares importante para tua vida,

só para te ver próspero e feliz...

mas, não sei o que realmente tu queres.

 

Amado filho... se tu quiseres
Realizar o sonho de ter todo o espaço do Universo,

Me transformarei em Brahma, o Criador do Universo,

para que Me manifeste como espaço,

só para ti sentir em Meu coração, livre e solto...em plena expansão...

mas, não sei o que realmente tu queres.

 

Amado filho... se tu quiseres
Realizar o sonho de ter asas para voar,

Eu incorporarei Dédalo para ser as tuas asas

e irmos juntos aonde tua imaginação permita...

mas, não sei o que realmente tu queres.

 

Amado filho... se tu quiseres
Realizar o sonho de estar em constante contato com a Luz Divina,

revelarei Agni, o Deus do Fogo Sagrado,

para que Me transforme na Luz do teu Caminho,

só para guiar os teus passos...

mas, não sei o que realmente tu queres.

 

Amado filho... se tu quiseres
Realizar o sonho de ter todos os prazeres do mundo,

Eu convocarei os Deuses do Olimpo

e Me revestirei com toda a luxúria de um Ser atraente, sensual e rico,

para que possa te oferecer todos os prazeres mundanos...

mas, não sei o que realmente tu queres.

 

Amado filho... se tu quiseres
Realizar o sonho de receber amparo para se sentir protegido no teu Caminho,

então Eu invocarei Gaia, a Grande Mãe Terra,

para ser o teu continente e te ver confiante e seguro...

mas, não sei o que realmente tu queres.

 

Mas se tu quiseres
Receber o Meu amor, Meu carinho,

ter paz em Minha Eternidade e descansar em Minha Infinitude,

ah...para isso Eu não precisarei Me manifestar nos Deuses,

porque Eu sou o Amor, a Eternidade e a Infinitude já cultivada em seu coração.

 

E se Eu souber
Que o que mais tu queres receber agora é a Graça deste Amor Divino,

ah...nossa...Eu te levarei a um transe cósmico transcendental,

bem-aventurado e pleno de amor.

 

Mas Eu não sei o que realmente tu queres.
Por isso Eu espero, espero, espero...silenciosamente!

(“Em Busca da Luz”, Roberto Nogueira)

 

 

Então, o que tu queres? Pare um pouco e pense! Reflita! O que, de fato, quer para a tua vida, para este momento? Queres o prazer da vida material? Queres um grande amor? Queres uma vida opulenta, abundante de riqueza? Ou queres paz, bons relacionamentos? O que tu queres?

 

A maior Graça que podemos receber é o Amor do Pai. Este Pai que também é Mãe, que tem o pleno amor para nos transmitir, nos abraçar e nos acalentar. Mas, este Pai-Mãe nos dá tudo que queremos, quer seja ao nível material, sentimental ou espiritual. Portanto, peça, reflita no que realmente queres. Ele está a tua espera, silenciosamente, para te ofertar. Mas, o que Ele tem de mais sagrado a nos dar é o amor – o amor incondicional. Para isso, nós precisamos estar a Teus pés e pedir; pedir com fé e esperança, certo de que vamos receber. E que sejamos gratos ao que nós recebemos desta fonte infinita, eterna e de bem-aventurança.

 

Fiquem na paz. Namaste.

domingo, 19 de julho de 2020

ORAÇÃO & FÉ



A oração é a nossa capacidade de se comunicar com Deus. Cada um tem a sua forma de orar e aquela que mais se aproxima Dele, é a melhor. Mas, para orar precisamos de alguns preceitos. O mais importante é o amor a Deus. Para amá-lo temos que ter humildade, temos que nos curvar diante Dele e aceita-lo no mais íntimo de nosso Ser. Isso já representa meio caminho andado. A outra metade do caminho é composta de força mental e a sustentação da vontade. A força mental se desenvolve pela reflexão, decisão e concentração. Para sustenta-la precisamos da louvação ou adoração a Deus, da alegria de estarmos com Deus e, principalmente da fé de que Deus nos ouve.

A reflexão nos possibilita alinhar a nossa vontade com a vontade de Deus, pelo amadurecimento de nosso verdadeiro querer. O que se quer de fato no âmago da Alma? É justo o que se quer? É bom para todos? É bom para mim? Há de se ter uma resposta afirmativa para as três últimas perguntas. Se uma delas falhar, então não estará alinhada com a Vontade Divina.

A decisão e a concentração geram um potencial de energia, devido ao foco e a persistência da oração. É o que acontece quando se reza o terço ou entoa-se repetidamente um mantra com um japamālā. Ondas de energia mental vão se acumulando, impregnando e impulsionando o intento.

A adoração a Deus é necessária para que possamos nos despojar de todo orgulho e ter ciência de que é Deus que consente e envia a Graça. Através do louvor, criamos um canal de luz e abrimos as portas do coração para receber a Graça.

A alegria de estarmos com Deus nos faz florir o caminho, tornando-o magnético, atraente para o presente que estamos a congratular, a regozijar-se com Deus. A alegria ou o contentamento nos torna receptivos e harmoniosos, nossa energia ganha brilho, enquanto a tristeza e lamentação nos ofusca.

Enfim, a fé! Nada é tão poderoso quanto a fé. Sem fé não podemos realizar nada. É somente através da fé que nossas ideias se transformam em realidade. Quanto maior é a fé, mais poderoso é o pensamento. A fé alicerça todas as nossas intenções, todas as nossas realizações. A fé avaliza as nossas ações. Mas, não confundam a fé com a crença! Na crença não há fundamento. A fé está fundamentada na razão no conhecimento vivenciado.

A fé nos capacita a refletir, decidir, concentrar, louvar e se alegrar. Ela é o alimento da Alma. Assim como o corpo precisa de nutrientes, a Alma só sobrevive com fé. É muito importante esse contato íntimo com Deus para não entrarmos em desespero. Muitos se julgam pessoas de fé, mas na primeira batalha perdida, no primeiro entrave, se desesperam, porque a fé é a base da esperança. Na realidade, não passam de crentes. A fé é uma atitude interna; vem da Alma. A crença é externa; é necessário ver, ouvir, tocar para crer. A crença se modifica com os anos, enquanto a fé é permanente. Assim como o Sol não projeta sombra ao meio-dia, a fé plena não projeta sombras de dúvidas.

A oração deve ser feita com formas, frases e intenções positivas. Assim, elas penetram como flechas nos campos mentais negativos, quebrando forças distorcidas e obscuras. As formas-pensamento ou ideias positivas são edificantes. Existe uma grande diferença entre falar “eu sou saudável” e “eu não sou doente”, apesar de semanticamente expressarem a mesma ideia.

Estabelecemos o contato com Deus por duas formas: meditando ou orando. Na oração nós falamos com Deus. Na meditação nós escutamos Deus. Existem alguns formatos de se orar: prece, afirmações, apelos ou decretos. A prece é bem devocional e seguem um padrão que já é bem conhecidos de todos nós, com a Ave Maria, Pai Nosso, Cáritas, Francisco de Assis. São as mais poderosas, quando feitas no mais íntimo da Alma.

As afirmações são curtas e objetivas, como “eu sou luz” ou “eu sou filho de Deus perfeito”; enquanto os apelos são súplicas, como “Ó Pai, livrai-nos do mal”! Já os decretos são longos, firmes e servem como verdadeiros exorcismos, como a “Armadura de São Patrício”. E é com ela que vou encerrar.


ARMADURA DE SÃO PATRÍCIO

Descanso este dia na onipotência da Divina Presença “EU SOU”
“EU SOU” o poder da Divina Presença para guiar-me
“EU SOU” a força da Divina Presença para sustentar-me
“EU SOU” a sabedoria da Divina Presença para ensinar-me
“EU SOU” o olhar da Divina Presença para velar sobre mim
“EU SOU” o ouvido da Divina Presença para ouvir-me
“EU SOU” a mão da Divina Presença para amparar-me
“EU SOU” o caminho da Divina Presença para estender-se adiante de mim
“EU SOU” o escudo da Divina Presença para resguardar-me
“EU SOU” o exército da Divina Presença para defender-me
“EU SOU” a Divina Presença do Cristo à frente de mim
“EU SOU” a Divina Presença do Cristo atrás de mim
“EU SOU” a Divina Presença do Cristo acima de mim
“EU SOU” a Divina Presença do Cristo abaixo de mim
“EU SOU” a Divina Presença do Cristo à minha direita
“EU SOU” a Divina Presença do Cristo à minha esquerda
“EU SOU” a Divina Presença do Cristo dentro de mim
“EU SOU” a Divina Presença do Cristo ao meu redor
“EU SOU” a Divina Presença do Cristo através de mim
“EU SOU” a Divina Presença do Cristo no sentido de minha largura
“EU SOU” a Divina Presença do Cristo no sentido de meu comprimento
“EU SOU” a Divina Presença do Cristo no sentido de minha altura
“EU SOU” a Divina Presença do Cristo no sentido de minha profundidade
“EU SOU” a Divina Presença do Cristo no coração de todos os que falam de mim
“EU SOU” a Divina Presença do Cristo nos olhos de todos os que me veem
“EU SOU” a Divina Presença do Cristo nos ouvidos de todos os que me ouvem
“EU SOU” a Divina Presença do Cristo nos que sentem o meu aroma
“EU SOU” a Divina Presença do Cristo nos que me tocam
Descanso este dia na onipotência Crística da Divina Presença “EU SOU”
Saúde, Força e União